A falta dela
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Está vazio.
Todo o a redor, o meio, o fim, o começo, o errado, o certo, o meu, o dele, o nosso, o avesso, o de ninguém, o que ninguém quer, o que nem mesmo eu sei se quero.
Estou vazia.
Todas as certezas, as dúvidas, os medos, as seguranças, as esquinas, os travesseiros, as gavetas, as entranhas, os abraços, as noites, os dias, as tardes e a eterna sensação de sentir o mundo.
E não é uma questão de desamor, ou de amor demais, ou de matéria física preenchendo um espaço que está ali para ser preenchido por alguém mesmo. É um vácuo estranho mostrando que falta alguma coisa tão inerente a mim que é capaz de preencher o buraco que nem o ar preencheu.
Ele correu pra vida, mas eu corri de mim mesma e não achei o caminho de volta. Fazendo sempre muita força para não demonstrar minha fraqueza.
E eu encho todas minhas partes vazias de pessoas que não inflam o suficiente nem para me fazer mais macia. Além de vazio e escuro, está seco. Ressacada de tanto vazar por um dia ter pensado que as escolhas todas já haviam sido feitas e que a minha parada final era bem ali, no sofá vinho.
Todas as vezes, que eu não dormia pensando no tanto que a gente ia ser feliz quando a porta do corredor, as escadas da casa e os sensores de luz - mostrando que tinham pessoas acordadas perambulando - não nos atrapalhariam mais.
Estamos vazios.
Eu fui obrigada a cuspir fora todo o delicado que existia dentro de mim, quando você resolveu trocar a roupa de cama, as fotos do mural, o porta retrato da sala.
Acabei indo embora sem conseguir olhar pra trás, olhar direito pra você e tentar entender onde foi que tanta coisa se perdeu, onde foi que depositei aquele amor maluco por você, onde foi que esqueci o meu coração, porque agora estou sem ele.
Fiquei intragável e a culpa é da sua mania quase que delinqüente de ter alguém por perto, e da minha vontade quase que psicopata de grudar no seu pescoço e arrancar de você, à força, tudo o que você levou de mim no dia.
Eu queria socar a sua cara quadrada pra você entender que a falta que sinto não é sua, é minha. Queria não me importar com as coisas que me lembram dos toques, dos cheiros e das vontades que não precisavam ser abafadas para existir, elas apenas existiam, mas o que eu queria mesmo, e muito, era juntar meus pedaços perdidos em você, para que eu pudesse continuar andando por aí inteira e para que esse vazio que me enche de coisas ruins, passasse.
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...
segunda-feira, 5 de maio de 2008
...C'est beau ses rides autour des yeux...
Nos rendez-vous c'est pas comme dans les films
Je cours vers lui il reste assis
Un jour il m'a même dit:
Tu es la femme du reste de ma vie...
"Eu gosto é do gasto"
sábado, 3 de maio de 2008
Dois pequenos textos sobre o respeito.
Vai garota, se permite sofrer! Vai ouvir Strokes, exalta samba, Jane e Herondi, (seja lá o que você goste de ouvir).
Vai, se encolhe na cama, se apega ao edredom, cria um caso de amor com ele, mas pára de evitar o luto, vive o luto, vive até o final, faz velório, missa de sétimo dia e depois enterra, porque só assim esquece.
Enquanto você mascara a tristeza e a mágoa na boite que é o último grito da moda com essa alma que fede a vodka e cigarros, o amor se esconde por trás da olheira e faz seu sexo casual virar ménage a trois, e tanto eu, quanto você, sabemos muito bem que essa mania de fazer respiração de yoga, colocar esse salto de bico fino, e ir pra rua só faz com que a gente se sinta mais pela metade (mesmo voltando para casa com homens inteiros), porque vivemos o luto, pra depois (bem depois) enterrar, porque o poço é sempre mais poético do que tudo, enquanto você se prepara para sair do fundo e ser feliz ao ponto de não conseguir mais escrever.
"Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro
(...)
Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cú
Com os sentimentos mais nobres"
*Querido Diário - Tópicos para uma semana utópica (Cazuza)
A partir de agora, amor só se como Chico Buarque diz: "não me chame de rainha, nem de perdida, mas de mulher" e que chegue como quem não quer nada, e que se divirta em lugares escuros onde se toca rock'n roll mesmo que alí não seja o grito da moda, e sim, porque eu gosto.
Quero o amor de peito aberto para agüentar minha cabeça pesada e ter espírito livre o suficiente para largar os pseudos e querer ser feliz agora (que é bem melhor do que pra sempre).
Não quero mais a análise dos meus (e dos seus) gestos, da racionalidade extrema e da absurda observação sobre as minhas frases e coisas que muitas vezes não querem dizer absolutamente nada.
Quero que o amor chegue cego para o passado e para o futuro, e que se concentre no agora, porque sofrer todo mundo sofre, menos eu e ele, que sabemos que estamos dispostos a tudo, por isso, aceitamos de braços abertos as ironias da vida sem querer saber de todas as cicatrizes que ganhamos no passado.
Chega de viver mais ou menos.
É, isso...
E, pronto, ponto. Basta!
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By the way
quinta-feira, 1 de maio de 2008
"Should've done something, but I've done it enough.By the way, your hands were shaking, rather waste some time with you."
[Blue and Yellow, do The Used]
Porque é fácil estar feliz olhando pra você tão de perto, com seu jeito trimiliquento de criança que ganhou doce e não teve que dividir com o irmão. Incrível ver o frescor que sai da sua pele e confunde o meu discernimento ao meu tesão. Eu ali, quietinha, contemplando de camarote a droga do castanho do seu olho entre aberto, entre cabelos e palavras rápidas.
E as horas vão passando e os compromissos vão se atrasando pela espera do êxtase, mas o meu êxtase nunca chega. A merda da minha cabeça de menina proibida nunca para de funcionar e isso atrapalha o funcionamento biológico das coisas. Você faz que não está nem aí, mas eu tento reafirmar pra mim que talvez no funfo, no fundo, bem lá no fundinho, você talvez se preocupe. Ou não.
E, eu continuo usando você de pretexto pra dizer pra mim mesma que agora eu sou moderna e ter um fuckin' dude vai me ajudar a ser mais feliz e menos carente. Bobagem minha.
Eu quero sentir que faço diferença pra você, e depois virar as costas e sair andando porque aí eu vou estar cultivando a imagem de despretenciosa e desligada que demorei tanto pra fazer você acreditar; que demorou tanto pra que, eu mesma, acreditasse. Eu forço meu coração sem emoções pra emocionar você; eu faço cara de dor e tento ver se você sofre, pra ver se vale à pena. Mas não vale, porque eu mesma não valho às vezes.
Eu te quero só pra mim, mas Deus sabe que há muitos dias em que eu não quero ser só sua. Eu quero prestar atenção em cada detalhe da sua presença pra que eu possa sofrer depois, eu quero criar uma história que não existe e contar pra todo mundo com um toque de conto de fadas, eu quero fingir que não me predispuz a ser somente sua amiga e agora estou na dúvida.
Eu não queria sofrer por antecipação e, menos ainda, me sentir emocionalmente burra e tão vulnerável aos meus próprios caprichos bobos. Queria que ela não tivesse conseguido implantar em você a sementinha do amorzinho perfeito, que não existe, mas que a gente cisma em acreditar( ainda mais quando há um continente e muitas expectativas de distância entre as pessoas). Queria que fosse mais fácil não pensar nos "talvez" e continuar vivendo o momento com o gozo à flor da pele e as emoções maquiadas pra caralho, como foi até agora.
Ah, e à propósito não, eu não estou, ainda, apaixonada por você.
[ E, salve o feriado no meio da semana!
Bem Merecido! ]
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Gô
Bukowski, Fante, Kerouac...todos juntos, ao mesmo tempo, numa golada só. pausa. respira o Caio um pouquinho, porque dói, bem aqui ó. Escrevo. Escrevo. Escrevo. Espera eu morrer... Personagens espalhados, gente gritando, gente feia, gente esquisita. Já te disse que gosto de estranhezas? É. Assim mesmo, dedo torto é um charme. Uns poemas gastos. Corpos, restos, um pouco de amarelo, azul, curry, eu...e você, junta tudo isso aqui, que sai alguma coisa. Hype? Tá de grupo comigo?! Cacete. *****NÃO TRABALHAMOS COM MIGUXÊS ********
Eu mesma e deixa assim, se melhorar, piora, e se mexer, estraga ou vira pó. Deixe estar. Deixe estar. Los é uma boa, Strokes, Last Nite, por favor, tá, Someday. Camille, Ta douleur. Le fil, um pé só. equilibra, vai caiiiiiirrrrr. Opa! Bravo! Gaimoto Cristosso Malaka, só aprendi coisa errada com ex-namogrego, adorava um ditado albanês..."debocha, judia dos infernos". É, até que nos dávamos bem. Salve, salve, sogrego! Um dia acabou, o resto fica como parentes. Glup. Glup. A Elisa butucas lindas verdes é das poucas capixabas gente boa (conheço pouca gente por lá, então dá um crédito, plis), pena que não aparece lá com frequência, deve tá nas zeuropas, catarolando, poetizando, feliz ela lá. feliz eu aqui. Tá, nos vemos qualquer dia desses em Dunas de Itaúnas, e vamos vender salada de fruta. Brigo pra caramba com a mãe da Catarina, mas gosto daquela cachorra, mesmo quando põe estrelinhas no umbigo. Mando o Sputter para a o putaquepariu, risco os cd's da sua bandoca, ouça: The Honkers, baianos roqueiros e cantam em inglês, maior influência...Billy Childish, é eu tenho que gostar desses caras, gostam DO CARA, anota aí vai...THE HONKERS, vai lá no soulseek, procure pelo HonkerBoy, satisfação garantida, ou seu dinheiro de volta. Pretty Punk Girl impregnou tudo aqui, música dos infernos, se não morássemos tão longe...Eu quero ir para a cidade baixa e ver o Sputter e suas "N" bandas, eu quero ver um poema nascer, porque ele lota a minha caixa de e-mails, como se fosse uma crítica literária. Baby, não mais literatura, não assim, o gosto é ruim, eu sei que é, é meu, e tá ainda aqui na fundo da língua, e tenho mania irrecuperável de escrever ",e". Leio, gosto, e só. E, caso fique quieta, e sorrir de canto, é que gostei mesmo, de você, da poesia, de tudo mais. Não queira ver as minhas tantas outras caras, não são legais. Deixa essa aqui, que é até bonitinha. Pipa. Pipoca. Potinhos. "Gente em conserva", queria ser uma. Gatos. Cavalos. Zéfiro é o pocotó, Sputter (miau, gato, bichano, macho e existe, tão vagabundo quanto o Sputter de cima, ambos me azucrinam da mesma forma, um faz "miauuu", outro faz: "...porra mulher, cadê você na Bela Cintra, tamos aqui, o Tucori também tá aqui! Só nesse final de semana, acha o caminho, entra no site, tem um mapa, se vira, pega um taxi, essa cidade não vai te engolir, vamos cair de boca nela, daí na segunda vamos embora e não olhe nunca para trás, vira estátua de sal, PROCK. CRECK. Curioso só de fode!"...enquanto isso, meu coração mora em Canoas, e escreve outro livro, o primeiro é: "Sobre o Gostar", o próximo: "A garota que encantava o Carbolithium", roubador de vida, da minha, da sua, e não fale com ele! Ixi, já tá na linha...fudeu. Já é. Agora é livro, e você nem vai saber, a não ser que compre! E, isso é legal, porque ele me prometeu o céu também, e o Amor? Tá aqui, guardadinho, é meu, e ninguém toma nada de mim. "Poderosa viciante, mas não faz mal, meu docinho", cubro minhas melenas galegas, eu gosto é de cabelo preto. ora vermelho, depende do humor. Falando nisso...Bipolar, conheci as pessoas mais legais do mundo no furação, e o inferno é bem lá, mas dá pra ter momentos bons, dá pra virar os olhinhos. Amo Dr. Maurício Escocard, responsável por me manter sã (rá, que coisa), acho muita graça quando me pergunta: "Como vai a minha mente para doutorado?", mal doutor, muito mal doutor, tô perdendo a memória. Passei a escrever diários depois dessa condição nova (nem mais tão nova assim...os anos passam). Gosto do passado, gosto mesmo. Gosto também de epitáfios: "Don't Try", as luvinhas de boxes...Eu gosto de pouca coisa, mas com sustância, já dizia a minha vó, de boba ela não tem nada. Um dia largo tudo e vou embora pra Canoas, com licença poética Tio Bandeira " ...lá sou namorada do rei (são tantas emoções), tenho o homem que quero, na cama que escolherei. Vou me embora para Canoas...Vou me embora para Canoas....faz conexão em Salvador? Vira...Vira...Vira...Seu Piloto! É só pra dar um "Oi", pro meu irmamigo, juro é coisa rápida!".
Agora foi. Saltou bem bonitinho.
O básico: Goreti Maia. 26 anos. Campista (RJ). Universitária, curso Arquitetura e Urbanismo na FAFIC. Colecionadora, restauradora e customizadora (tudo "dora") de bonecas (Blythe's). Só.